Suplementos e vitaminas IV: o que a ciência diz

Evidência Clínica · Suplementação 11 mai 2026 2 min de leitura

Suplementos e vitaminas IV: o que a ciência diz

Você provavelmente toma algum suplemento. Ou conhece alguém que toma vários. Magnésio, colágeno, vitamina D, vitamina C intravenosa. Às vezes por indicação médica. Muitas vezes porque “não faz mal”. Esse último ponto merece atenção.

Mesa com múltiplos frascos de suplementos, pílulas espalhadas, copo d'água e caderno com anotações, luz dourada de fim de tarde

“Natural” não é o mesmo que seguro

Revisões com centenas de milhares de participantes mostram que multivitamínicos não reduzem risco de doenças cardíacas, câncer ou morte em pessoas sem deficiência comprovada.12 Em situações específicas, doses elevadas de determinados suplementos também mostraram risco aumentado:

Betacaroteno e vitamina A em fumantes, associado a maior incidência de câncer de pulmão.3

Vitamina E em altas doses, associada a aumento na incidência de câncer de próstata.4

Vitamina D em excesso, podendo causar hipercalcemia e, em casos prolongados, complicações renais.5

Vitaminas são essenciais ao funcionamento do organismo. Isso é indiscutível. A questão é outra: suplementar além das necessidades traz benefício adicional? A indicação precisa vir de uma avaliação real, não de um protocolo genérico ou de uma recomendação de influenciador.

Vitaminas intravenosas

As clínicas de vitaminas IV prometem energia, imunidade e recuperação. A evidência disponível não sustenta nenhuma dessas promessas em pessoas saudáveis.6 Os riscos existem: arritmias, sobrecarga renal, falência hepática, e infecções associadas ao acesso venoso fora do ambiente hospitalar.7

O custo maior

Além do financeiro, há um risco menos visível: suplementos desnecessários frequentemente atrasam a busca por cuidado e tratamento adequados.

Nem toda intervenção necessária é complexa. E nem toda intervenção disponível é necessária.

Cuidado de qualidade é aquele que respeita a evidência científica, o contexto individual e a proporcionalidade das condutas.

Tomateiros com tomates maduros na videira em horta mediterrânea com luz dourada filtrada
Sobre a autora
Foto

Dra. Andrea Yamasato é médica especialista em Clínica Médica | Medicina Interna pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, pós-graduanda em Medicina do Estilo de Vida no Hospital Israelita Albert Einstein. Atende adultos em São Paulo com foco em medicina preventiva, diagnóstico integrado e acompanhamento longitudinal.

CRM-SP 206.041 · RQE 125.152
Referências
  1. Fortmann SP, Burda BU, Senger CA, Lin JS, Whitlock EP. Vitamin and mineral supplements in the primary prevention of cardiovascular disease and cancer: an updated systematic evidence review for the U.S. Preventive Services Task Force. Ann Intern Med. 2013;159(12):824–834. Revisão sistemática: multivitamínicos não previnem doenças cardiovasculares ou câncer em adultos sem deficiência.
  2. US Preventive Services Task Force. Vitamin, mineral, and multivitamin supplementation to prevent cardiovascular disease and cancer. JAMA. 2022;327(23):2326–2333. Recomendação atualizada: evidência insuficiente pra benefício em adultos saudáveis.
  3. Cortés-Jofré M, Rueda JR, Asenjo-Lobos C, Madrid E, Bonfill Cosp X. Drugs for preventing lung cancer in healthy people. Cochrane Database Syst Rev. 2020;3(3):CD002141. Cochrane: betacaroteno aumenta incidência de câncer de pulmão em fumantes.
  4. Klein EA, Thompson IM Jr, Tangen CM, et al. Vitamin E and the risk of prostate cancer: the Selenium and Vitamin E Cancer Prevention Trial (SELECT). JAMA. 2011;306(14):1549–1556. SELECT trial: vitamina E em altas doses aumenta risco de câncer de próstata.
  5. Galior K, Grebe S, Singh R. Development of vitamin D toxicity from overcorrection of vitamin D deficiency: a review of case reports. Nutrients. 2018;10(8):953. Casos de hipercalcemia e complicações renais por excesso de vitamina D.
  6. CADTH (Canadian Agency for Drugs and Technologies in Health). Intravenous multivitamin therapy use in hospital or outpatient settings: a review of clinical effectiveness and guidelines. Ottawa: CADTH. 2020. Revisão: vitaminas IV não têm evidência de benefício em pessoas saudáveis.
  7. D’Souza G, Bhargava A, Hassen GW, Kalantari H. A nearly fatal case of Pseudomonas bacteremia secondary to a naturopathic intravenous vitamin infusion. J Investig Med High Impact Case Rep. 2016. Caso de bacteremia grave por infusão IV de vitaminas em ambiente não hospitalar.

Suplementos y vitaminas IV: lo que dice la ciencia

Evidencia Clínica · Suplementación 11 may 2026 2 min de lectura

Suplementos y vitaminas IV: lo que dice la ciencia

Probablemente tomas algún suplemento. O conoces a alguien que toma varios. Magnesio, colágeno, vitamina D, vitamina C intravenosa. A veces por indicación médica. Muchas veces porque “no hace mal”. Ese último punto merece atención.

Mesa con múltiples frascos de suplementos, píldoras esparcidas, vaso de agua y cuaderno con anotaciones, luz dorada del final de la tarde

“Natural” no es lo mismo que seguro

Revisiones con cientos de miles de participantes muestran que los multivitamínicos no reducen el riesgo de enfermedades cardíacas, cáncer ni muerte en personas sin deficiencia comprobada.12 En situaciones específicas, dosis elevadas de determinados suplementos también mostraron riesgo aumentado:

Betacaroteno y vitamina A en fumadores, asociados a mayor incidencia de cáncer de pulmón.3

Vitamina E en dosis altas, asociada a aumento en la incidencia de cáncer de próstata.4

Vitamina D en exceso, capaz de causar hipercalcemia y, en casos prolongados, complicaciones renales.5

Las vitaminas son esenciales para el funcionamiento del organismo. Eso es indiscutible. La cuestión es otra: ¿suplementar más allá de las necesidades trae beneficio adicional? La indicación tiene que venir de una evaluación real, no de un protocolo genérico ni de una recomendación de influencer.

Vitaminas intravenosas

Las clínicas de vitaminas IV prometen energía, inmunidad y recuperación. La evidencia disponible no sustenta ninguna de esas promesas en personas sanas.6 Los riesgos existen: arritmias, sobrecarga renal, falla hepática e infecciones asociadas al acceso venoso fuera del ambiente hospitalario.7

El costo mayor

Más allá de lo financiero, hay un riesgo menos visible: los suplementos innecesarios frecuentemente retrasan la búsqueda de cuidado y tratamiento adecuados.

No toda intervención necesaria es compleja. Y no toda intervención disponible es necesaria.

El cuidado de calidad es el que respeta la evidencia científica, el contexto individual y la proporcionalidad de las conductas.

Tomateras con tomates maduros en la viña en huerto mediterráneo con luz dorada filtrada
Sobre la autora
Foto

La Dra. Andrea Yamasato es médica especialista en Medicina Interna por el Hospital das Clínicas da FMUSP, posgraduanda en Medicina del Estilo de Vida en el Hospital Israelita Albert Einstein. Atiende adultos en São Paulo con foco en medicina preventiva, diagnóstico integrado y seguimiento longitudinal.

CRM-SP 206.041 · RQE 125.152
Referencias
  1. Fortmann SP, Burda BU, Senger CA, Lin JS, Whitlock EP. Vitamin and mineral supplements in the primary prevention of cardiovascular disease and cancer: an updated systematic evidence review for the U.S. Preventive Services Task Force. Ann Intern Med. 2013;159(12):824–834. Revisión sistemática: los multivitamínicos no previenen enfermedades cardiovasculares o cáncer en adultos sin deficiencia.
  2. US Preventive Services Task Force. Vitamin, mineral, and multivitamin supplementation to prevent cardiovascular disease and cancer. JAMA. 2022;327(23):2326–2333. Recomendación actualizada: evidencia insuficiente para beneficio en adultos sanos.
  3. Cortés-Jofré M, Rueda JR, Asenjo-Lobos C, Madrid E, Bonfill Cosp X. Drugs for preventing lung cancer in healthy people. Cochrane Database Syst Rev. 2020;3(3):CD002141. Cochrane: el betacaroteno aumenta la incidencia de cáncer de pulmón en fumadores.
  4. Klein EA, Thompson IM Jr, Tangen CM, et al. Vitamin E and the risk of prostate cancer: the Selenium and Vitamin E Cancer Prevention Trial (SELECT). JAMA. 2011;306(14):1549–1556. Estudio SELECT: vitamina E en altas dosis aumenta el riesgo de cáncer de próstata.
  5. Galior K, Grebe S, Singh R. Development of vitamin D toxicity from overcorrection of vitamin D deficiency: a review of case reports. Nutrients. 2018;10(8):953. Casos de hipercalcemia y complicaciones renales por exceso de vitamina D.
  6. CADTH (Canadian Agency for Drugs and Technologies in Health). Intravenous multivitamin therapy use in hospital or outpatient settings: a review of clinical effectiveness and guidelines. Ottawa: CADTH. 2020. Revisión: las vitaminas IV no tienen evidencia de beneficio en personas sanas.
  7. D’Souza G, Bhargava A, Hassen GW, Kalantari H. A nearly fatal case of Pseudomonas bacteremia secondary to a naturopathic intravenous vitamin infusion. J Investig Med High Impact Case Rep. 2016. Caso de bacteriemia grave por infusión IV de vitaminas en ambiente no hospitalario.